Faz mais de um ano que eu não escrevo aqui. E tanta coisa mudou de lá pra cá. É engraçado como tudo na vida de repente ganha outros parâmetros. De repente em jul/09 eu cheguei em um lugar onde eu passei a me sentir em casa. Um lugar com pessoas que eu conhecia a pouco tempo, mas que faziam muito mais sentido na minha vida do que pessoas que sempre estiveram nela. Um lugar que eu queria que fosse meu.
Exatamente um mês depois de ter ido embora, eu voltei pro que sem saber seria a pior e melhor viagem da minha vida. Depois de uma noite maravilhosa, com os dois melhores amigos que eu poderia ter e um dia seguinte cheio e cansativo, um acidente de carro. Sim, o acidente foi a pior coisa que eu já (sub)vivi em toda a minha vida. Nada que eu consiga comparar a dor, ao sofrimento, a falta do que fazer, a vontade de ter a família por perto e ao mesmo tempo a força de conseguir fazer tudo sem eles. Mais uma vez, eu tenho com toda a certeza do mundo, os melhores amigos que eu poderia ter desejado um dia. Foi a pior coisa, mas que trouxe uma das melhores coisas da minha vida. Os primeiros telefonemas, os primeiros emails carinhosos, a atenção, e finalmente o 'primeiro encontro'. Primeiro encontro no formato de despedida, mas o anseio pela volta. Chegar em casa, ter o amor, o carinho, e o cuidado dos 'de sempre', mas um sentimento de que faltava alguma coisa. Faltava ar.
Faculdade passou a ser um local de visita, cada vez menos freqüente, cada vez com menos sentido. Faltava ar ali também. O que um dia parecia ter sido feito pra mim, agora era só um lugar de lembranças e cada vez mais distante do objetivo pretendido.
Menos de dois meses depois, um reencontro e os melhores 10 dias vividos até então nesse lugar. A partir daí certezas e confirmações de que se o coração e a cabeça estavam em um lugar, como viver em outro? Planos, reflexões, conversas, pedidos, pciência, muita paciência. Dúvidas, medos, mas certezas sempre de que eu teria o que eu queria.
Fim do ano, proximidade de uma chegada. Eu sabia o que era certo fazer, precisava de um amparo, precisava de um abraço, de um carinho que a muito tempo não tinha. Sabia que nao tinha por culpa minha, mas eu precisa me entender antes de me fazer entender. Aniversário, saída do armário 1. Metas, planos, a pessoa mais importante da minha vida tinha o direito de saber da maior descoberta da minha vida. Sentei, chorei, contei, e nunca me senti tão amada. Mamãe é foda.
A chegada tensa, 15 minutos vendo sem poder tocar, abraçar, sentir. Mas nada como o primeiro abraço. E depois mais 15 dias perfeitos. Um ano novo, chegando e uma expectativa de que a vida nova ia começar junto com ele. Clichê?
Não, não era só um clichê. Eu tinha certeza que aconteceria. E dois meses depois, dia nove de fevereiro a minha vida começou a mudar. Ganhar contornos daquilo que eu almejava, do que eu queria. Agora eu pertencia a Brasília. Assim como ela sempre me pertenceu, e eu demorei 20 anos pra descobrir.
E agora, dois meses e cinco dias depois de descobrir tudo isso, eu acordei meio mal. Meio triste, meio ansiosa pra voltar pro Rio. Com medo do que vem pela frente. Pensando em tudo o que já vivi aqui e se eu realmente tô me esforçando o suficiente pelo que eu quero. Não, eu sei que não. Mas eu vou, eu vou.
Quero um estágio garantido.
Quero viver sem precisar me preocupar com um mundo de coisas.
Quero meus amigos por perto.
E quero mais que tudo acertar em tudo e fazê-la a pessoa mais feliz desse mundo.
Pra quem antes tinha anseio de mudar de casa, de estado, de faculdade e de vida, o que eu quero agora é pedir tão pouco a mim mesma né?
Wish me lucky!
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